Bola pra frente

 

Ao ser convidado para assumir e dar seguimento a esse simpático espaço, escolho manter o formato da crônica como modo de melhor demarcar o compartilhamento de impressões e inquietações diversas. E que, já aviso, podem transcender a esfera da arte-como-assunto em termos mais ortodoxos.

Interessa-me um modelo de escrita que aluda, por exemplo, ao chamado cronismo esportivo, inclusive o televisivo – no mais das vezes, tão-somente futebolístico. E que, ainda que generalizando de modo um tanto esquemático, tem por característica marcante o fato de não raro ser lugar de pulsões virulentas, da crítica franca, ácida, apaixonada ou mesmo destemperada, pouco afeita a atender a interesses alheios. É comum não se medir palavras no ataque ao desempenho de jogadores, treinadores, cartolas e comissão técnica de equipes. E vou mais longe: é exatamente isso o que se espera deste profissional – a expectativa em torno da crítica esportiva é justamente pela análise dura, o juízo que será emitido de modo ríspido, por vezes inclemente.

Bem ao contrário do que se verifica na sua contrapartida voltada para a arte, num paralelo irresponsavelmente hipotético como o que me atrevo a realizar agora. Com exceções cada vez mais raras, textos críticos sobre arte que circulam em catálogos, folders e publicações acadêmicas [pois na grande mídia impressa esse espaço já não existe, por motivos que não cabem elencar aqui] dificilmente escapam ao registro da adesão ou do elogio pasteurizado, mesmo que competente.

Embora não pretenda fazer daqui um espaço especificamente de crítica de arte (menos ainda da polêmica-pela-polêmica, até porque pra isso já tem gente mais especializada por aí), esta coluna buscará insuflar algum ruído nesta dinâmica, ainda que pela breve observação comentada de questões e temas relativos à produção artística e a seu meio.

Guy Amado

Obs: a se lamentar, não apenas a tragédia envolvendo o acervo Oiticica em outubro último, como a morte também trágica – embora anônima – de um técnico na montagem da Bienal do Mercosul, dias antes.

Originalmente publicado na DasArtes 7 [verão-2010]

 

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